Grupo de Atendimento Clínico (GAC)

Um espaço de escuta, investigação clínica psicanalítica.

O GAC — Grupo de Atendimento Clínico do COWAP Brasil reúne psicanalistas, psicanalistas em formação e psicólogos voluntários, vinculados à Associação Psicanalítica Internacional (IPA), em torno da escuta analítica de mulheres, adolescentes e crianças em situação de violência intrafamiliar — em sua dimensão clínica, institucional e teórica.

Desde 2021do nascimento do GAC
6 gruposativos · GAC I, II, III, IV,
Estudo e Escrita, e Pesquisa
Mais de 150mulheres atendidas até o fim de 2025
Atendimento clínico gratuitoonline · até 12 sessões
Quem somos

O GAC — Grupo de Atendimento Clínico do COWAP Brasil.

Um grupo de psicanalistas, psicanalistas em formação e psicólogos voluntários, vinculados ao Comitê de Mulheres e Psicanálise (COWAP) da Associação Psicanalítica Internacional (IPA), dedicado à escuta analítica do sofrimento psíquico de mulheres, adolescentes e crianças em situação de violência intrafamiliar.

Origem

Gestado no contexto da pandemia.

Gestado no contexto da pandemia de Covid-19, diante do agravamento dos casos de violência doméstica provocado pelo isolamento social. Sensibilizados por essa realidade e pela vulnerabilidade social e econômica de tantas mulheres brasileiras, organizamos, ao longo de 2020, sete encontros online com profissionais de saúde mental que atuavam na linha de frente do enfrentamento à violência.

Esses encontros deram origem, em agosto de 2021, ao primeiro grupo de atendimento do COWAP Brasil: o GAC.

Nossa missão

Dar voz à dor psíquica das vítimas.

Oferecer atendimento psicanalítico emergencial, gratuito e online, em até doze sessões semanais, para mulheres vítimas de violência intrafamiliar em situação de vulnerabilidade social e econômica.

Dar voz à dor psíquica dessas vítimas e promover o rompimento do ciclo de violência geracional e transgeracional.

Conhecer os grupos →
Como trabalhamos

Três tempos articulados, inspirados no método de Esther Bick.

Nosso modelo de intervenção é inspirado no método de observação de bebês de Esther Bick e se organiza em três tempos articulados.

01

Atendimento clínico individual

Semanal, em formato de teleatendimento. Até doze sessões com cada paciente, gratuitas, conduzidas por profissionais voluntários da equipe do GAC.

02

Registro escrito detalhado

Cada sessão é registrada com cuidado pelo profissional responsável, sustentando a memória clínica e alimentando o trabalho coletivo de elaboração.

03

Discussão clínica em grupo

Encontros semanais supervisionados, registrados em ata, que funcionam como espaço de continência, sustentação e elaboração para os profissionais que vivenciam o impacto emocional desses atendimentos.

Estudos teóricos semanais

A este tripé somam-se estudos teóricos semanais sobre a clínica do trauma, tendo como referência autores como Sigmund Freud, Sándor Ferenczi, André Green, Alcira Mariam Alizade, Christopher Bollas, Estela Welldon, Juan Tesone, Moty Benyakar, Patricia Alkolombre, Joshua Durban, entre outros.

Quem atendemos

Mulheres, crianças e adolescentes — e a complexidade interseccional da violência.

Iniciamos o trabalho com a escuta de mulheres adultas e adolescentes vítimas de violência intrafamiliar.

Ao longo dos anos, em razão da diversidade cultural, linguística e étnica do Brasil, ampliamos nossa atuação para incluir mulheres negras, mulheres trans, homens, adolescentes e crianças — reconhecendo a complexidade interseccional da violência e a necessidade de revisar continuamente as teorias sobre gênero, sexualidade, racismo e preconceito.

Fundamentação Clínica e Teórica

Uma clínica do traumático.

O GAC se fundamenta na ética do cuidado, que subjaz à psicanálise — na capacidade de escuta, de empatia e de aprender com a experiência, como nos ensina Bion.

Entendemos nosso trabalho como uma clínica do traumático: uma clínica que vai além dos dispositivos clássicos da neurose, na qual o analista se coloca em posição de testemunha implicada das vivências que a paciente ainda não pôde simbolizar, oferecendo um espaço de reinscrição psíquica para o indizível.

Trabalhamos a partir de Ferenczi, para quem o trauma se constitui não apenas pelo ato violento, mas pela negação do outro-ambiente que silencia, nega ou desmente o fato.

E ampliamos essa compreensão com autores contemporâneos como Tesone e Benyakar, que entendem o trauma como acontecimento psíquico disruptivo, irrepresentável, que rompe a continuidade do Eu.

Foto do grupo — Congresso IPA, Lisboa 2025
Reconhecimento

Prémio da IPA — Comunidade e Mundo.

Em 2025, o GAC recebeu o Prémio da IPA – Comunidade e Mundo, na categoria Violência, com o trabalho "Violência Intrafamiliar e os Desafios de um Grupo de Atendimento e Intervenção Psicanalítica de Emergência", apresentado no 54º Congresso da IPA, em Lisboa. O prêmio reconhece o trabalho conjunto de psicanalistas de diferentes sociedades — SPRJ, SPPA, SPMS e SPRPE, entre outras — dedicadas ao atendimento de emergência em situações de violência intrafamiliar, sob coordenação de Rosa Sender Lang.

Linha do tempo

Da pandemia à clínica em rede.

Sete encontros online

Diante do agravamento da violência doméstica na pandemia, organizamos sete encontros online com profissionais de saúde mental que atuavam na linha de frente do enfrentamento à violência.

2020
2021

Nasce o GAC

Em agosto de 2021, é criado o primeiro grupo de atendimento do COWAP Brasil — o GAC. Atendimento gratuito e online a mulheres vítimas de violência intrafamiliar.

Primeiras parcerias institucionais

CIAM RJ, Projeto Borboleta (RS) e NAT-Vítimas (GO) passam a encaminhar mulheres para os atendimentos. O programa ganha alcance nacional.

2022
2024

Ampliação da escuta

O programa passa a acolher também mulheres negras, mulheres trans, homens, adolescentes e crianças, reconhecendo a complexidade interseccional da violência.

86 mulheres recebidas

De agosto de 2021 a novembro de 2024, foram 86 mulheres recebidas pelo programa, com 69 acolhidas em atendimento por violência intrafamiliar.

2025
2025

Prémio da IPA

Prémio da IPA (Comunidade e Mundo), categoria Violência, pelo trabalho "Violência Intrafamiliar e os Desafios de um Grupo de Atendimento e Intervenção Psicanalítica de Emergência", apresentado no 54º Congresso IPA (Lisboa).

Hoje

Quatro frentes clínicas (GAC I, II, III e IV) Estudo e Escrita e a pesquisa Intervenção Psicanalítica Emergencial em andamento, sustentando o trabalho do programa.

2026
Equipe permanente

Coordenação e supervisão.

Rosa Sender Lang

Coordenadora do Grupo

Psicanalista. Representante do COWAP Brasil e responsável pela direção clínica e institucional do GAC. Coordena o conjunto das atividades do programa desde sua fundação, em 2021.

Onde estamos · Como nos organizamos

Uma rede que escuta o Brasil inteiro

O GAC reúne psicanalistas, psicanalistas em formação e psicólogos vinculados a Sociedades Psicanalíticas de várias regiões do Brasil e de Portugal. Cada integrante traz a sua experiência clínica e o seu território para a escuta coletiva.

Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Internacional 12Sociedades 5Regiões
Mapa dos membros do GAC I, II e III — Rosa Sender Lang (fundadora e coordenadora, SPRJ) e integrantes vinculados a Sociedades Psicanalíticas do Brasil e de Portugal
SPRJ
Integrantes

Passe o cursor sobre os pontos do mapa para ver os integrantes de cada Sociedade.

Sudeste · 4 sociedades
SPRJ
Soc. Psicanalítica do Rio de Janeiro · RJ
Rosa Sender Lang · Mariangela Relvas · Stella Aranha
SBPSP
Soc. Brasileira de Psicanálise de SP
Marcia Fernal · Maria Helena Storto
SBPRP
Soc. Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto
Cristina Mendonça
SBPMG
Soc. Brasileira de Psicanálise de MG
Luciana Carvalho
Sul · 3 sociedades
SPPA
Soc. Psicanalítica de Porto Alegre · RS
Ângela Wirth · Lígia Somenzi · Lizana Dallazen · Rosangela Costa
SPPEL
Soc. Psicanalítica de Pelotas · RS
Equipe vinculada
SBPCuritiba
Soc. Brasileira de Psicanálise de Curitiba · PR
Mariangela Relvas (também SPRJ)
Centro-Oeste · 1 sociedade
SPMS
Soc. Psicanalítica de MS
Denise Vasconcelos · Ednéia Cerchiari · Idê Crispim
Norte e Nordeste · 3 sociedades
SPRPE
Soc. Psicanalítica de Recife/PE
Camila Arruda · Lenira Vasco · Sandra Abadia
UFPB
Universidade Federal da Paraíba
Heloísa Quintans
NPSSA
Núcleo Psicanalítico de Salvador · BA
Petruska Passos
Internacional · 1 sociedade
SPPC
Soc. Portuguesa de Psicologia Clínica · Portugal
Daniel Matias
Grupos GAC

Quatro frentes clínicas para os diferentes lados da violência intrafamiliar.

Os Grupos de Atendimento Clínico do COWAP Brasil reúnem psicanalistas em diferentes momentos de formação — em encontros semanais de supervisão e prática clínica supervisionada. Cada grupo tem foco temático próprio e segue um ritmo de trabalho construído com seus participantes.

01
GAC I

Mulheres Vítimas de Violência Intrafamiliar

Atendimento de adultos em situação de sofrimento psíquico, com supervisão clínica semanal em pequeno grupo.

Como funciona o trabalho

O GAC 1 reúne-se semanalmente em encontros de duas horas, divididos em supervisão de casos e estudo teórico orientado. O percurso é organizado em ciclos anuais e prevê:

  • Atendimento clínico supervisionado em formato de baixo custo
  • Participação em uma das três linhas de estudo (Freud, Lacan, autores contemporâneos)
  • Produção de um texto clínico ao final de cada ciclo
  • Acesso aberto às atividades de pesquisa e ao acervo da Cadernos COWAP
Cartaz GAC I — Grupo de Atendimento Clínico a Mulheres vítimas de Violência Sexual Intrafamiliar
02
GAC II

Atendimento clínico a adolescentes e crianças vítimas da violência intrafamiliar

Espaço de escuta, acolhimento e elaboração clínica para compreender e intervir nas situações de violência intrafamiliar que atingem crianças e adolescentes.

Como funciona o trabalho

O GAC 2 articula atendimento clínico individual e trabalho em parceria com instituições. As supervisões são quinzenais e combinam discussão de casos com estudo da clínica da adolescência em uma perspectiva psicanalítica institucional.

  • Atendimento de adolescentes encaminhados por escolas e CAPS-i
  • Supervisão quinzenal em pequeno grupo
  • Visitas institucionais mensais
  • Produção de relato clínico anual para o boletim Cadernos COWAP
Cartaz do GAC II — Grupo de Atendimento Clínico a Adolescentes e Crianças Vítimas da Violência Intrafamiliar
03
GAC III

Mães e bebês

Escuta clínica de mães e bebês em situação de violência intrafamiliar, atenta aos primórdios do vínculo e aos efeitos precoces do trauma.

Como funciona o trabalho

O GAC III articula atendimento clínico, estudo dirigido e supervisão em grupo, voltado à díade mãe-bebê em contexto de violência intrafamiliar.

  • Atendimento clínico com escuta sensível ao vínculo mãe-bebê
  • Seminário teórico semanal
  • Supervisão clínica em grupo
04
GAC IV

Agressores

Escuta clínica de homens autores de violência, na perspectiva da clínica do traumático e da responsabilização subjetiva.

Como funciona o trabalho

O GAC IV oferece escuta clínica a homens autores de violência intrafamiliar, articulada a estudo teórico e supervisão em grupo, buscando a responsabilização subjetiva como via de interrupção do ciclo de violência.

  • Atendimento clínico com foco na responsabilização subjetiva
  • Seminário teórico semanal
  • Supervisão clínica em grupo
05
GAC V

Estudo e Escrita

Espaço de estudo teórico e produção escrita a partir da experiência clínica dos demais grupos GAC — sustentando a dimensão de pesquisa e reflexão coletiva do programa.

Como funciona o trabalho

O GAC V reúne participantes dos demais grupos e pesquisadores convidados em encontros de estudo teórico e escrita coletiva, transformando a experiência clínica acumulada em produção teórica e científica.

  • Seminário teórico quinzenal
  • Oficina de escrita clínica
  • Produção de artigos e materiais de divulgação do programa
Pesquisa em andamento

A intervenção psicanalítica emergencial no enfrentamento da violência doméstica.

Do trauma à representação — atendimento psicanalítico a mulheres vítimas de violência intrafamiliar.

Em curso
Submetida
CEP/FAMERP · dez/2025
Início previsto
Fevereiro · 2026
Duração
2026 — 2027
Financiamento
Parcial · IPA
Instituição proponente
SPMS — Soc. Psicanalítica de MS
Coordenação
Rosa Sender Lang · SPRJ / COWAP Brasil
Resumo

Da experiência clínica acumulada ao conhecimento sistemático.

Por que essa pesquisa

A violência contra a mulher é, antes de tudo, um problema de saúde pública. Globalmente, uma em cada quatro mulheres jovens sofre ou sofreu violência. Na América Latina e no Caribe, essa taxa chega a 25%. No Brasil, três em cada dez mulheres vivem alguma forma de violência doméstica — psicológica, moral, física, patrimonial ou sexual.

Diante deste cenário, o GAC — Grupo de Atendimento do COWAP Brasil desenvolve uma pesquisa científica que busca analisar os efeitos do tratamento psicanalítico emergencial, online e gratuito, oferecido a mulheres vítimas de violência intrafamiliar em situação de vulnerabilidade social e econômica.

A pesquisa nasce do trabalho clínico que vem sendo realizado pelo GAC desde 2021 e tem o compromisso de transformar a experiência acumulada nesses anos em conhecimento sistemático, capaz de contribuir tanto para a clínica psicanalítica do trauma quanto para as políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.

Pergunta de pesquisa

De que maneira a psicanálise pode contribuir no tratamento emergencial, por teleatendimento, de vítimas submetidas, direta ou indiretamente, a situações de violência intrafamiliar — considerando os alcances, os limites e os efeitos desse tratamento sobre a população atendida?

Objetivos

O que queremos compreender.

Geral & específicos

Objetivo geral — Analisar os efeitos do tratamento emergencial, numa abordagem psicanalítica, de mulheres vítimas, direta e/ou indiretamente, de situações de violência intrafamiliar.

Objetivos específicos — A pesquisa busca caracterizar a população atendida e ampliar o conhecimento sobre o funcionamento psíquico de mulheres em situação de vulnerabilidade. Pretende identificar os fatores psicossociais e sociodemográficos que sustentam o ciclo da violência intrafamiliar, descrever o referencial teórico-clínico da psicanálise mais adequado ao manejo dessas situações emergenciais, e investigar como a agressão e a violência reverberam no processo de subjetivação das mulheres.

Quer ainda analisar os efeitos do tratamento sobre cada participante, os alcances e limites do desenho metodológico adotado, caracterizar os profissionais voluntários envolvidos e oferecer a esses profissionais um espaço de aprofundamento teórico-técnico na clínica do trauma.

Desenho metodológico

Inspirado no método de Esther Bick.

Tipo de estudo
Pesquisa qualitativa, descritiva, transversal, com amostragem não probabilística e análise de conteúdo segundo Bardin e Gomes, complementada por triangulação metodológica.
Modelo de intervenção
Inspirado no método de observação de bebês de Esther Bick, organizado em três tempos: atendimento clínico individual em teleatendimento, relato escrito de cada sessão, e discussão clínica supervisionada semanal em grupo, registrada em ata. A esse tripé somam-se estudos teóricos semanais sobre a clínica do trauma.
Formato dos atendimentos
Até 12 sessões online, gratuitas, com frequência semanal e duração de 50 minutos cada.
Instrumentos de coleta
Banco de dados preenchido pelos profissionais, atas das supervisões em grupo, entrevistas semiestruturadas com os profissionais ao final dos atendimentos, entrevistas com as mulheres ao final das 12 sessões e em follow-up seis meses depois.
Análise dos dados
Apoiada nos softwares NVivo e CHIC (Classification Hiérarchique Classificatoire et Cohésitive), buscando categorias temáticas emergentes e cruzando os diferentes instrumentos de coleta para garantir transparência e transferibilidade do estudo.
Amostra prevista
60
mulheres atendidas
20
profissionais voluntários
80
total estimado de participantes
Critérios de inclusão

Mulheres adultas (≥ 18 anos) vítimas de violência intrafamiliar encaminhadas pelas instituições parceiras do GAC; psicanalistas, psicanalistas em formação e psicólogos com atuação em clínica de orientação psicanalítica, regularmente inscritos em seus conselhos profissionais.

Categorias analíticas

O que observamos em cada participante.

A análise dos dados busca observar, em cada participante:

Desenvolvimento crítico e reflexivo de pensar sobre si mesma.
Ganho de recursos emocionais para se reconhecer como distinta de seu parceiro ou agressor.
Aumento do repertório emocional para comunicar as vivências traumáticas.
Desenvolvimento egóico que permite almejar projetos para além do conflito.
Ganho de autonomia socioemocional e material.
Rompimento do vínculo de codependência e da perpetuação pessoal e transgeracional da violência.
Fundamentação teórica

Dos clássicos aos contemporâneos.

Tradição psicanalítica

A pesquisa se ancora em uma tradição psicanalítica que vai dos clássicos aos contemporâneos. De Freud, retoma a noção do trauma em dois tempos e a leitura social da psicanálise inaugurada em 1918. De Sándor Ferenczi, recupera a compreensão do trauma como negação do outro-ambiente — quando o adulto silencia ou desmente a experiência da criança. De Winnicott, herda a centralidade do ambiente suficientemente bom na constituição psíquica. De Bion e Esther Bick, o método de observação e a noção de continência que estruturam a metodologia do GAC.

Entre os contemporâneos, apoia-se em Juan Tesone — que pensa o trauma como acontecimento psíquico desorganizante, irrepresentável — e em Moty Benyakar — que propõe o conceito de "disruptivo" para descrever o impacto do trauma sobre o psiquismo. Dialoga ainda com Masud Khan (trauma cumulativo), René Kaës (transmissão psíquica entre gerações), Judith Butler (precariedade e violência) e Regina Herzog (a violência como negação da humanidade do outro).

Desfechos esperados

O que pretendemos demonstrar.

Desfecho primário

Efeitos sobre a organização e autorregulação psíquica e social das mulheres atendidas.

Desfechos secundários

Efetividade do teleatendimento psicanalítico como modalidade clínica; alcances e limites da abordagem psicanalítica neste contexto.

Equipe de pesquisa

Coordenação e pesquisadores.

Compromisso ético

Rigor e transparência em todas as etapas.

CEP/FAMERP & LGPD

O projeto foi aprovado pela Comissão de Ética da SPMS e está em avaliação pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (CEP/FAMERP). Toda a coleta seguirá rigorosamente as diretrizes da Resolução CNS n.º 510/2016 e da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n.º 13.709/2018).

  • Sigilo e confidencialidade dos dados assegurados em todas as etapas.
  • Nenhum registro envolve gravação de voz ou imagem.
  • Dados codificados com chave aleatória.
  • Ressarcimento integral de eventuais despesas das participantes, garantido pelo projeto.
  • Sem ônus ao SUS ou a convênios privados.
Divulgação dos resultados

Acesso aberto e linguagem acessível.

Os dados serão publicados em formato de e-book gratuito, preservando integralmente o anonimato das participantes, e apresentados em congressos:

FEBRAPSI FEPAL IPA Periódicos científicos
O que esperamos

Romper o ciclo. Prevenir a transmissão geracional. Reinscrever o que o trauma deixou sem palavra.

Esperamos contribuir com a criação de um modelo de atendimento psicanalítico que traga efetiva autonomia às mulheres, capaz de alterar os comportamentos de dependência, de romper a perpetuação do ciclo da violência e de prevenir a transmissão geracional e transgeracional do modelo intrusivo de relação violenta. A pesquisa nasce da convicção de que a escuta analítica, oferecida como acolhimento e como método, pode reinscrever simbolicamente o que o trauma deixou no corpo sem palavra.

Fonte: Projeto de Pesquisa "A Intervenção Psicanalítica Emergencial no Enfrentamento da Violência Doméstica", submetido ao CEP/FAMERP em 14/01/2026.
Uma rede que sustenta

Quem caminha conosco

O GAC só existe pela soma de instituições que acreditam que a escuta analítica pode transformar vidas. Conheça quem caminha com a gente, na pesquisa e na comunidade.

01 — Comunidade

Parceiros Comunitários

Estas são as instituições que viabilizam a dimensão social do trabalho do GAC, encaminhando as mulheres atendidas e atuando na rede pública de proteção e assistência. É graças a essas parcerias que o GAC alcança mulheres em situação de vulnerabilidade nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil.

Sudeste · Rio de Janeiro
CIAM RJ — Centro Integrado de Atendimento à Mulher Márcia Lyra

Pioneiro no atendimento a mulheres vítimas de violência no Brasil. Vinculado à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro.

Sul · Rio Grande do Sul
Projeto Borboleta

Vinculado aos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Fórum Central de Porto Alegre e ao Poder Judiciário do Rio Grande do Sul.

Centro-Oeste · Goiás
NAVITA

Núcleo de Apoio às Vítimas, vinculado ao Ministério Público do Estado de Goiás.

Centro-Oeste · Goiás
NUDEM

Parceria com IBDFAM e Defensoria Pública de Goiás.

Mapa da rede

Onde estamos.

O GAC tem alcance nacional graças à rede de parceiros que encaminham mulheres em situação de violência intrafamiliar para o atendimento online e gratuito.

Parceria ativa
RJ · RS · GO
RJ · CIAM
RS · Borboleta
GO · NAVITA
02 — Pesquisa

Parceiros de Pesquisa

Estas são as instituições que viabilizam a dimensão científica, ética, formativa e institucional do trabalho do GAC. Sustentam a produção de conhecimento, a aprovação ética e o vínculo internacional do projeto.

IPA — Associação Psicanalítica Internacional

Financiadora parcial do projeto de pesquisa. Sustenta a supervisão clínica com especialistas internacionais e garante a inserção do GAC na rede mundial de psicanálise.

COWAP Brasil — Comitê de Mulheres e Psicanálise

Comitê da IPA dedicado às questões de gênero, sexualidade e violência. O GAC é o braço de atendimento clínico do COWAP no Brasil, sob coordenação de Rosa Sender Lang desde 2020.

SPMS — Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul

Instituição psicanalítica proponente e responsável pela execução da pesquisa. Aprovou o projeto em sua Comissão de Ética.

Seja um apoiador

Quer caminhar com o GAC?

Estamos abertos a novas parcerias institucionais — com órgãos públicos, organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas e psicanalíticas — que compartilhem do compromisso com a escuta e o enfrentamento à violência intrafamiliar.

Publicações científicas

O que publicamos sobre a clínica.

Artigos do Grupo de Atendimento Clínico (GAC) em revistas científicas de psicanálise do Brasil e de Portugal. Todos os textos resultam do trabalho do GAC — vencedor do 1º lugar do Prêmio IPA na Comunidade e no Mundo 2025, categoria Violência. Os links levam diretamente às revistas oficiais (acesso aberto, quando disponível).

Destaque FEBRAPSI

Violência intrafamiliar e os desafios de um grupo de atendimento e intervenção psicanalítica de emergência

Lang, R. S.; Matias, D.; Cerchiari, E. A. N.; Vasconcelos, D.; Somenzi, L.; Pinto, M. R. — Revista Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI), v. 59, n. 3, p. 155–166, 2025. DOI 10.69904/0486-641x.v59n3.12.

Acesso aberto · PEPSIC/BVS · 2025 Acessar artigo ↗
SPPA · BrasilPublicado

Traumas e intervenção psicanalítica: um retrato da clínica emergencial do Grupo de Atendimento COWAP-Brasil

Pinto, M. R.; Lang, R. S.; Matias, D.; Cerchiari, E. A. N.; Loch, G. H. M. — Revista de Psicanálise da SPPA, v. 32, n. 1, p. 111–121.

Soc. Psicanalítica de Porto Alegre2025
RPP · PortugalPublicado

Grupo de Atendimento Clínico do COWAP Brasil no Enfrentamento à Violência Contra a Mulher: Abrindo a Caixa de Pandora

Cerchiari, E. A. N.; Lang, R. S.; Matias, D.; e colaboradores do GAC. Revista Portuguesa de Psicanálise (SPP), v. 45, n. 1, p. 39–57. DOI 10.51356/rpp.451a2.

Soc. Portuguesa de Psicanálise2025
SPRJ · BrasilNo prelo

A Psicanálise no Enfrentamento da Violência Intrafamiliar: Grupo de Atendimento Clínico (GAC) COWAP Brasil

Lang, R. S. e colaboradores. Revista Psicanalítica — Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ). Em fase final de publicação.

Soc. Psicanalítica do Rio de Janeiro2025 · no prelo

4 referências · 3 publicadas e 1 no prelo. Os links de DOI conduzem ao registro permanente do artigo no sistema internacional de identificação de publicações científicas.

Artigos Cadernos COWAP · Volume 04
Pesquisa Clínica institucional Resenha

A escuta clínica como prática institucional contemporânea

Como sustentar a escuta analítica em contextos institucionais marcados pelo tempo curto, pela demanda permanente e pela exigência de produtividade? Notas a partir do trabalho do GAC 1 ao longo de 2024–2025.

Abertura: o que é uma escuta?

Há uma pergunta que atravessa todo o trabalho dos grupos de atendimento clínico do COWAP Brasil desde sua fundação, e que retorna a cada ciclo de supervisão com uma estranha persistência. O que escutamos quando escutamos? A pergunta é evidentemente psicanalítica, mas seu rendimento clínico é maior do que parece. Ela nos arranca da ilusão técnica de que escutar seria sinônimo de captar conteúdos, decifrar mensagens, traduzir afetos em palavras já preparadas.

Em vez disso, somos lentamente levados ao reconhecimento de que a escuta é, antes de tudo, a sustentação de um intervalo — um intervalo entre o que é dito e o que se passa, entre o que se passa e o que se pode formular. É nesse intervalo que algo da clínica acontece.

Escutar não é entender. Escutar é deixar que alguma coisa, ainda sem nome, encontre um espaço onde possa repousar até virar palavra. — transcrição de supervisão, GAC 1, 14/ago/2024

A instituição como sintoma

Trabalhar em uma instituição é trabalhar com o que a instituição faz com o sintoma — e com o que o sintoma faz com a instituição. Nossas equipes têm encontrado, em escolas, postos de saúde e abrigos, uma forma particular de demanda: a demanda institucional de resolver. Resolver o aluno que não para sentado, a paciente que não responde ao protocolo, o adolescente que falta às consultas.

O que oferecemos, em resposta, não é uma técnica de resolução — é uma proposição de tempo. Tempo para que o caso se descole de sua moldura institucional e revele algo que só pode aparecer quando há quem o escute fora do regime de urgência. Esse deslocamento, modesto na aparência, é o que torna possível qualquer trabalho clínico digno desse nome.

A instituição não nos pede para escutar. Ela nos pede para concluir. Sustentar a escuta, ali, é um gesto político.

Três tempos da escuta institucional

Em diálogo com a tradição inaugurada por Lacan e desdobrada por autores como Marie-Hélène Brousse e Christian Dunker, propomos pensar o trabalho do GAC 1 em três tempos articulados: o tempo de acolher, o tempo de sustentar, e o tempo de devolver. Cada um exige uma posição distinta do analista e produz efeitos diferentes na economia da instituição.

O tempo, esse outro paciente

Não é fortuito que a maior parte dos relatos clínicos compartilhados em nossos grupos toque, em algum momento, a questão do tempo. Não havia tempo para escutá-la. O tempo da sessão acabou justo quando ela ia começar a dizer. Demorou meses até que ele pudesse falar. A clínica institucional contemporânea está densamente atravessada por essa tensão entre o tempo do sujeito e o tempo da demanda.

O corpo do analista

Um eixo que tem ganhado densidade em nossas supervisões é o do corpo do analista como ferramenta clínica. Não no sentido de uma técnica corporal — não fazemos terapia corporal —, mas no sentido de que o corpo do analista é, ele próprio, um lugar de inscrição do que acontece na escuta. Cansaço, sono, fome, irritação: tudo isso é matéria clínica antes de ser desconforto pessoal.

Fechar não é concluir

Este texto não conclui. Os artigos do GAC nunca concluem — apenas pausam, deixando espaço para o próximo ciclo de leituras. Mais do que uma estética, isso responde a uma convicção: o trabalho clínico é por natureza inacabado. As próximas notas serão publicadas na edição de junho da revista Cadernos COWAP, com contribuições do grupo de Escritas.

— Os autores agradecem a leitura cuidadosa de Marina Fontes, Júlio Werneck e do conjunto do GAC 1.

#escuta #clínica-institucional #psicanálise #supervisão #GAC1
Ana Carvalho

Psicanalista, doutora em psicologia clínica pela USP. Coordena o GAC 1 desde 2019 e integra a equipe editorial da revista Cadernos COWAP.

Luciana Pires

Psicanalista e supervisora clínica. Mestre em psicopatologia pela PUC-SP. Coordenação do GAC 2 e do grupo de Escritas.

Eventos

Encontros, seminários e conversas abertas.

Mesa-redondas, seminários abertos, lançamentos e oficinas. Maioria com transmissão online ao vivo. Inscrições gratuitas, com vagas limitadas para os encontros presenciais.

Próximo evento
29 set · 2026 · a 3 de outubro

36º Congresso Latino-Americano de Psicanálise — FEPAL

"Angústia, vazio e ato". Um encontro fundamental para conectar, debater e repensar a prática psicanalítica. Tarifa antecipada com desconto vigente até 31 de julho.

LocalSantiago do Chile
OrganizaçãoFEPAL — Federação Psicanalítica da América Latina
Inscriçõescongresofepal2026.com/pt

Próximos eventos · lista

Últimos eventos

Eventos realizados.

Apresentações do GAC em sociedades psicanalíticas e congressos nacionais e internacionais · 2024–2025.

Ver arquivo completo →
2025
15Out · 2025

Violência Intrafamiliar e os Desafios de um Grupo de Atendimento e Intervenção Psicanalítica de Emergência

Sociedade Brasileira de Psicanálise de Curitiba (SBPCuritiba).

Curitiba · PR
04Out · 2025

Psicanálise em Ação: Projetos premiados pela IPA

Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ). Apresentação do GAC como projeto premiado pela IPA.

Rio de Janeiro · RJ
24Set · 2025

Violência Intrafamiliar e os Desafios de um Grupo de Atendimento e Intervenção Psicanalítica de Emergência

Núcleo Psicanalítico do Espírito Santo (NUPES).

Espírito Santo
01Set · 2025

Traumas e Sofrimento Psíquico: o atendimento clínico (GAC) emergencial a mulheres, adolescentes e crianças expostas à violência

Corregedoria Geral da Justiça do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro · RJ
27Ago · 2025

Precisamos falar sobre: Relacionamentos Abusivos

Sociedade Brasileira de Psicanálise de Minas Gerais (SBPMG).

Belo Horizonte · MG
02Ago · 2025

Intrafamilial Violence and the Challenges of an Emergency Psychoanalytic Intervention Group

54º Congresso da IPA — “Psychoanalysis: An Anchor in Chaotic Times”.

InternacionalLisboa · Portugal
Ago2025

A Revoada dos Vagalumes — Violência Intrafamiliar

Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA).

Porto Alegre · RS
02Jun · 2025

La Violencia Intrafamiliar y los Retos de un Grupo de Intervención y Apoyo Psicoanalítico de Emergencia

Asociación Psicoanalítica Mexicana (APM).

InternacionalMéxico
12Mar · 2025

A psicanálise na clínica emergencial do trauma: o GAC no enfrentamento à violência intrafamiliar

Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul (SPMS).

Mato Grosso do Sul
2024
29Nov · 2024

A flor de piel: la intervención en la clínica del trauma según o trabalho do GAC COWAP Brasil

Asociación Psicoanalítica Argentina (APA) — Simpósio “El Psicoanálisis del Nuevo Mundo”.

InternacionalBuenos Aires · Argentina
15Out · 2024

35º Congresso Latino-Americano de Psicanálise: Intolerância, Fanatismo e Realidade Psíquica

FEPAL — Federação Psicanalítica da América Latina. 15 a 19 de outubro.

InternacionalRio de Janeiro · RJ
12Set · 2024

Apresentação do trabalho do GAC COWAP Brasil

Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ).

Rio de Janeiro · RJ
29Jun · 2024

Violência de gênero em diferentes contextos — o trabalho do grupo de atendimento a mulheres vítimas de violência

COWAP IPA · 1º evento online em português sobre o contexto da violência de gênero no Brasil.

COWAP IPA
Fale com a gente

Acompanhe o GAC nas redes.

Acompanhe o trabalho do GAC através das nossas redes sociais.